ANNE WITH AN E - CBC
A história acompanha a vida de Anne Shirley, uma jovem órfã que, após uma infância de abusos entre orfanatos e casas de estranhos, é enviada por engano para viver com um casal de irmãos em idade avançada. Com o passar do tempo, a pequena garota de 13 anos transforma a vida de Marilla, Matthew Cuthbert e de toda a cidade com seu jeito extrovertido, sua inteligência e imaginação brilhante. As aventuras de Anne abordam temas atemporais e de atual relevância como identidade, feminismo, bullying e preconceito.
FABULOSO!!!
Eu literalmente terminei a série minutos atrás (no dia 12 de junho, 9 horas da noite) e estou em um estado de êxtase sem igual. Não vi sentido da CBC cancelar essa obra que trata temas importantes com tanta naturalidade e possui uma narrativa leve que cativa qualquer um. Mas vamos lá!
Anne apresenta sexismo, racismo, discriminação LGBTQ+, feminismo e possíveis outros temas que não lembro nesse exato instante. Tudo isso acontece no cenário da cidadezinha de Avonlea, na Ilha de Príncipe Edward, Canadá. E sem falar das características da personagem principal, que apresenta claros sintomas de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH).
Na primeira temporada temos Anne Shirley que é uma recém chegada em Green Gables, sua primeira - possível - casa de verdade. Ela está extasiada para fazer amigos e criar raízes, apesar dos mais velhos acharem seu comportamento muito fora do comum. Eles acham que devido a sua falta de educação formal, seu jeito imaginativo, impulsivo e muito extrovertido irá se acalmar com o tempo. Pelo menos até ela se acostumar com os preceitos conservadores do povo da região. O que não é verdade.
Diana Barry foi a primeira e única "amiga do peito" de Anne, sua alma gêmea. Elas buscam conselho uma na outra, já que a ruiva sempre sabe o que dizer por conta da sua natureza curiosa e devoradora de livros. Diana é a miss perfeita; de boa família, é bonita, doce e inteligente. Ela é amiga das garotinhas da escola, e quando Anne chega, tudo muda. Vemos o bullying da sua forma mais bruta e dolorosa.
Anne é órfã, tem cabelos vermelhos, é magra e usa roupas simples que estão longe de serem consideradas bonitas. Ela sabe e vê isso quando se olha no espelho. Não há necessidade de torturar uma criança dessa forma. O que não impede os meninos e meninas da escola e vários adultos fazerem comentários. O que deu na cabeça dos irmãos Cuthbert de adotarem uma coisinha como aquela? Eu juro, o início é de partir o coração. Gostaria de dizer que vai piorando no decorrer dos episódios, mas aí eu teria de explicar a definição de "pior" e como não se aplica a Anne with an E.
Ela apresenta a frase "a frente do seu tempo" para se referir à Anne, o que faz todo sentido.
Voltando, na primeira temporada conhecemos a órfã de 13 anos que cativa os irmãos solteirões de Green Gables, Matthew e Marilla Cuthbert. Eles são muito introspectivos; Matthew é extremamente tímido, desajeitado, e prefere ficar longe dos holofotes, enquanto Marilla é bem rígida (o que é possível perceber de primeira pelo modo de se vestir e usar o cabelo) e "prefere" sua vida calma e controlada na fazenda. Mas como eles acabam acolhendo o raiozinho de sol chamado Anne Shirley? Só assistindo para entender.
A segunda temporada é uma das mais estressantes. Vemos pessoas nada confiáveis se aproveitando da boaventura dos fazendeiros de Avonlea. Temos Gilbert Blythe trabalhando em um navio e conhecendo Trinidad, temos Sebastian Lacroix - o primeiro personagem preto a ser introduzido em Anne - que apresenta a economia de plantation, a cultura do escravismo e que, mesmo sendo uma pessoa preta e livre as pessoas brancas e ricas não reconheciam essa liberdade. Temos também introdução da temática LBTQ+, excepcional.
Na terceira temporada temos conflitos. Muitos conflitos. Gilbert está de volta e quer acelerar seus estudos para se formar em medicina, Anne está animada para os seus 16 anos e pelo exame de admissão na Queens College, Diana está indecisa se deve seguir seu coração ou os planos da mãe, Sebastian está vivendo em Avonlea na fazenda dos Blythe junto com sua família, Jerry está em um dilema amoroso, os Cuthbert enfrentam problemas de saúde e lidam com as decisões de Anne para seu passado e futuro, e finalmente, a história indígena canadense.
Tudo gira em torno da auto descoberta de Anne Shirley-Cuthbert, com romance, amizade e amor das mais diversas formas.
Gostaria tanto de escrever mais, porém se eu entrar em detalhes tenho certeza que vou soltar muitos spoilers. Enfim, assistam Anne with an E! Está disponível na Netflix e em outras plataformas por aí.
Até logo.
ps: o romance é tão fofo. Vai de enemies to friends to lovers, e eles não entendem direito aquele sentimento que sentem quando tocam ou até mesmo quando se perdem no olhar um do outro. Quase morri quando ela tocou na mão do Gilbert na hora de dançar.

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